Experiências com a Dança

APRESENTAÇÃO

Por Gabriela Ramires

Aluna do Curso de Educação Física/EEFFTO/UFMG

Disciplina de Estágio em Dança. Profa. Isabel Coimbra

Olá, seja bem-vindo (a) ao meu blog! Meu nome é Gabriela, tenho 23 anos e sou estudante do curso de Educação Física da UFMG. Nesse espaço apresento um pedacinho do que foi meu estágio, apresentando um pouco das as discussões e dúvidas que surgiram ao longo do caminho.

Essa página foi criada como uma proposta de avaliação para a disciplina de estágio em dança do curso de Educação Física – Bacharelado da UFMG, ministrada pela professora Drª Isabel Coimbra. A escrita dos textos foi feita a partir de temas que surgiram ao longo desse processo, fruto de meus questionamentos e curiosidades e, para complementar o trabalho, me propus a fazer algumas entrevistas sobre temáticas que me atraíam.

O blog é, portanto, um resumo da minha experiência de estágio, repleto de indagações e discussões que permeiam a dança. Foi a partir dele que consegui me expressar e também compreender um pouquinho mais o ato de dançar, tendo a orientação da professora Isabel.

Apesar de ser um espaço pessoal, ao longo dos textos deixo alguns questionamentos que, sozinha, não fui capaz de responder. Te convido a debatermos juntos sobre a dança e tornamos esse um local de compartilhamento!

Obrigada pela sua leitura e espero que a página possa te ser útil. Te desejo uma excelente experiência!

O que é Dança?

Por Gabriela Ramires

O estágio em danças foi escolhido por mim entre as alternativas oferecidas para o curso de Educação Física da UFMG.  Até então, a minha experiência com a dança se resumia a quatro meses de balé e um ano de jazz, isso aos quatro anos de idade, ou nas famosas quadrilhas de festa de junina. Quando mudei de escola, a dança passou a ser opção nas aulas de Educação Física e modalidade disputada nas olimpíadas internas.

Embora sempre tivesse fugido das aulas de dança e só ter participado do festival no último ano de colégio, sentia-me mais familiarizada a ela do que a outras práticas, como o futebol.  No curso de licenciatura, foi o momento em que passei a ter mais contato com a dança, cursando quatro disciplinas (práticas) sobre o tema, sendo três delas obrigatórias. Foi essa experiência que me trouxe à minha primeira reflexão: “O que é a dança?”.

Há alguns anos, se alguém me convidasse para dançar, eu, prontamente, recusaria, dizendo: “Não sei dançar”, ainda que o fizesse todas as vezes que ficava sozinha em casa. Assim como eu, muitas pessoas se apegam aos passos e técnicas para explicar o que é e como se deve dançar. Minhas próprias experiências são contadas baseadas naquilo que me foi ensinado formalmente.

Isadora Duncan, no entanto, disse que a dança deveria expressar os sentimentos mais nobres e profundos dos seres humanos. Conforme Paulina Ossina (1988) escreve em seu livro “A educação pela dança”, embora dançar seja uma das mais importantes formas de comunicação expressiva, atualmente, é dominada pelos interesses econômicos, que a transformam em um produto e lhe tiram o significado.

Segundo a autora, tradicionalmente, os diferentes estilos de dança buscam exprimir algo, cada um à sua maneira e seguindo suas crenças. Até mesmo os passos, que para nós pode parecer apenas um movimento qualquer, são carregados de significados e coreografados para melhor expressar um sentimento. No balé clássico, o arabesque pode transmitir a ira, a serenidade ou o poder de Deus. Já na dança contemporânea, os gestos são criados conforme o que se quer passar.

Sobre a expressividade da dança, Miller (“Qual é o corpo que dança?”, 2012) afirma que dançar é um registro de vida, de força, expressão, empenho, vontade e paixão. Para a escritora, a dança não é algo externo, mas que depende do querer e do sentir, sendo a dança diferente para cada indivíduo.

Depois das aulas na faculdade e após ler alguns pensamentos, digo que todos nós podemos e SABEMOS dançar, pois vem de dentro. Às vezes, ficamos envergonhados ou não conhecemos como dançar de maneira técnica, mas isso não deve nos fazer deixar de dançar, já que a dança é uma maneira de nos colocarmos no mundo, de nos expressarmos.

Escrito em 22 de janeiro de 2021

Nos passos da natureza 

Por Gabriela Ramires

Enquanto escrevia o primeiro texto ia me questionando acerca do que digitava e novas perguntas iam surgindo. Está mais do que claro para mim que todos os corpos são capazes de dançar e que o fazem para se comunicar. No entanto, comecei a pensar se a dança estaria apenas nos corpos humanos.

Prontamente me respondi que não! Quando mais nova passava horas em frente à televisão assistindo programas que retratavam o mundo animal. E foi nessa época que descobri que os animais também podiam dançar e que algumas espécies usam a dança como forma de chamar a atenção dos parceiros e para acasalarem.

Mais recentemente assisti uma série chamada “Inacreditável Esporte Clube”. Um dos episódios mostrava um esporte que unia humanos e cães em uma competição de dança/adestramento, comprovando que no reino animal a dança também está presente.

Resolvi me aprofundar no questionamento e me propus investigar se a dança estaria presente então, apenas em seres vivos. E se a dança dos seres humanos seria a mesma da realizada por outros animais. Comecei a pensar no vento, no balanço das árvores e nas ondas que se formam no mar. Poderiam aqueles movimentos serem chamados de dança?

Procurei por textos que me auxiliassem em minha reflexão. Embora não tenha achado nenhum que aprofundasse na temática, encontrei um artigo que aborda de maneira sucinta o desejado.

Silva (2011) diz que o universo está repleto de movimento e que nos apropriamos deste, imitando o que vemos e transformando em expressividade, como na dança contemporânea. Ao citar Katz, no entanto, ressalta que apenas os humanos apresentam a habilidade de encadear conceitos e criar sequências escolhidas. O corpo traduz os movimentos em dança, coreografada de acordo com o que quer se transmitir: alegria, raiva, tristeza…

Embora o texto não dialogue muito com a existência (ou não) da dança na natureza, entendi que embora o movimento esteja presente em todo à nossa volta, o ato de dançar é consciente. Outros animais parecem dançar e de certa forma utilizam os movimentos para se expressar. No entanto, apenas nós conseguimos ver e transformar o movimento da natureza em expressão, sendo essa transformação feita de maneira pensada.

Termino o texto de hoje dizendo que embora pareça que a natureza dance constantemente, na realidade somos nós que nos apropriamos daquilo que vemos e transformamos em sentimento. Caso hoje seja indagada, assim que responderei. Mas te convido a pensar diferente e me fazer repensar minha própria resposta!

Escrito em 30 de janeiro de 2021

Link do artigo: https://repositorio.unb.br/handle/10482/18958

Acessado em: 30 de janeiro de 2021

Toda dança é igual?

Por Gabriela Ramires

No meu primeiro texto eu me propus a discutir o que era dança, tendo como ponto de partida minhas próprias falas e a observação. Embora já tivesse discutido essa questão anteriormente durante minha graduação, acabei não levando o debate para minha vida pessoal e acredito ter reforçado pensamentos incorretos sobre o dançar.

Essa semana eu pude entrevistar meu antigo professor preceptor do estágio e durante a conversa algumas questões que até então não tinham me chamado a atenção, começaram a surgir. Em um determinado momento o Diego comentou sobre as diferenças entre a dança da academia e na escola, dizendo que a dança da academia possuía um viés mais relacionado à promoção de saúde, enquanto a dança na escola promovia discussões para além da prática.

Me perguntei então se deveria existir diferentes tipos de dança. Pesquisando para o primeiro texto, descobri que a dança surgiu como meio de os povos antigos se comunicarem com os deuses (pedindo a chuva, fertilidade, etc.) e se expressarem. No entanto nós, seguindo uma lógica mercadológica, transformamos a dança em um bem de consumo e retiramos sua expressividade.

Obviamente que as danças ensinadas nas academias, baseadas na repetição gestual e sem uma aparente busca pelo entendimento acerca do significado dos gestos, pode provocar discussões. Inclusive, é isso que faço agora, não é mesmo?! Porém, durante a aula pouco se pensa no que se está fazendo ou no que se quer expressar, haja visto que, conforme constrói Guimarães et al. (2016) ao longo do artigo, as danças nas academias são procuradas para a promoção de saúde, principalmente para o emagrecimento (como se magreza fosse sinônimo de saúde, mas isso já é outra discussão).

Paralelamente, se pensarmos os espetáculos pagos, estes também são vistos como produtos. Uma diferença, no entanto, é que consigo ver que até mesmo esses espetáculos buscam transmitir emoções e são coreografados de acordo com a história a ser contada. Os bailarinos ali presentes o fazem como profissão e como tal, recebem pelo seu trabalho e tempo dedicado.

A escola, por sua vez, usa a dança principalmente com o objetivo de promover discussões acerca do corpo e questões presentes em nossa sociedade. Embora muitas vezes não seja o objetivo principal da aula propriamente dita, fazer com que os alunos expressem seus sentimentos, a Educação Física Escolar tem como um dos seus objetivos gerais possibilitar que os alunos se expressem a partir de seu corpo. Nesse sentido, as discussões e os gestos realizados durante a aula permitem que os estudantes utilizem os conhecimentos adquiridos quando necessário.

Dessa forma, acredito que a dança na escola é a que mais se aproxima à expressividade ocasionada pelo dançar. Isso não quer dizer que todas as pessoas que dançam em academia não veem a dança como uma maneira de demonstrar seus sentimentos.

Escrito em 05 de fevereiro de 2021

Link do artigo: https://assets.unitpac.com.br/arquivos/Revista/77/Artigo_3.pdf

Acessado em: 05 de fevereiro de 2021

DANÇA NA ESCOLA PÚBLICA: ENTREVISTA COM DIEGO MARCOSSI

Por Gabriela Ramires

Na foto: Diego Tavares Marcossi

Conheci o Diego quando estava no quarto período da licenciatura, quando cursava a disciplina de Educação Física no Ensino Fundamental e Médio. Na época dei duas aulas para uma de suas turmas, com plano de aula previamente aprovado por ele.

Cerca de um ano depois voltei ao Hilda pelo Programa Residência Pedagógica, tendo o Diego como professor preceptor. Foram três semestres acompanhando suas aulas e também o desenvolvimento do seu mestrado (que falava sobre o ensino da técnica na Educação Física escolar).

O Diego é formado em Educação Física, nas duas modalidades, pela UFMG e possui mestrado profissional em Educação Física pela instituição e concluído em 2020. Sempre gostou de dançar, mas foi na faculdade que começou a dar aulas e dançar de maneira sistematizada após entrar no grupo Sarandeiros.

Para quem não conhece, os Sarandeiros são um grupo de dança folclórica, fundado em 1980 pelas professoras Marilene Lima e Vera Soares, com o nome de Grupo Folclórico Sarandeio. Naquela época o grupo fazia parte dos cursos de extensão oferecidos aos alunos da Escola de Educação Física da UFMG.

Em 1997 a direção do grupo passou a ser do professor Gustavo Côrtes, que ampliou o acesso ao grupo, permitindo a entrada de bailarinos de outras companhias e pessoas da comunidade geral. Em 1998, por problemas de registro, o grupo passou a se chamar Grupo de Projeção Folclórica Sarandeiros.

Em nossa entrevista conversamos um pouco sobre sua relação com a dança e suas experiências com o ensino do conteúdo na escola. Ao longo do diálogo surgiram questões interessantes, como as diferenças entre o ensino da dança na rede pública e privada, na escola e na academia e questões ainda polêmicas, como o ensino da técnica.

Agradeço ao Diego pela conversa e pelos ensinamentos!

Segue abaixo o link para nossa entrevista e da página do grupo Sarandeiros, para quem tiver interesse.

Link da entrevista: https://youtu.be/jvzTJSw5K_o

Link da página dos Sarandeiros: http://projetos.eeffto.ufmg.br/sarandeiros/

Entrevista realizada no dia 08 de fevereiro de 2021.

Dança e Inclusão: Entrevista com Diego Valadares

Por Gabriela Ramires

Na foto: Diego Valadares Godoy

Diego Valadares Godoy possui licenciatura e bacharelado em Educação Física pela Universidade Salgado Filho. Começou no Programa Superar como estagiário e se manteve no programa desde então.

Além de trabalhar com o goalball, o Diego é também professor da modalidade de danças. Além das coreografias para os festivais anuais, durante as aulas busca trabalhar aspectos relacionados à coordenação motora e outras habilidades necessárias para a autonomia dos alunos.

O Diego possui deficiência visual (parcial), o que creio ser um fator a mais na hora de lidar com os alunos do Superar. Por essa razão está sempre atento às questões que passam batido às outras pessoas e sempre tem dicas para os estagiários.

Pude conhecer o professor e seu trabalho no período em que fui estagiária do programa e pude ver de perto o trabalho realizado por ele. Para quem tem interesse na área da atividade física adaptada, fica o convite a conhecerem o Programa Superar e seus profissionais.

Deixo aqui meu agradecimento ao Diego e espero que aproveitem!

Segue abaixo o link para nossa entrevista e da página do Programa Superar, para quem tiver interesse.

Link da entrevista: https://youtu.be/-Firkavif7I

Link da página do Progama Superar: https://prefeitura.pbh.gov.br/esportes-e-lazer/superar

Entrevista realizada em 08 de março de 2021

O movimentar-se na dança: PCD´s

Por Gabriela Ramires

Após a entrevista dessa semana, comecei a me questionar se existia diferença entre o dançar para pessoas sem deficiência e pessoas com alguma deficiência (PCD). Sabemos que algumas deficiências podem alterar os padrões de movimento e/ou a maneira de se locomover e, sendo a dança uma combinação de gestos, poderia essa ser diferente?

Um texto escrito por Rigo et. aI (2019) propõe a análise da dança em cadeira de rodas. Logo no início do texto os autores comentam a necessidade de refletir sobre temas como corpo e movimento inseridos no contexto da dança, ainda que não seja uma questão simples.

De acordo com o artigo, a partir do momento que as reflexões passam a considerar corpo e mente como um único componente, o que permite entender o corpo como organismo capaz de estabelecer conexões com o mundo e assim nos comunicarmos. Movimentar-se é, portanto, uma ação repleta de significados.

Ao pensarmos na dança, podemos perceber ainda mais forte essa necessidade de contextualizar as ações. Nesse sentido, PCD´s podem ser enxergados além de suas deficiências e limitações quando dançam, uma vez que

No entanto, danças mais tradicionais como o balé clássico, sempre estiveram presas à padrões de movimentos (muitas vezes estéticos também), o que dificultava a inserção de pessoas com deficiência na dança. A dança em cadeiras de roda, por exemplo, só passou a ser considerada após o surgimento da dança moderna, que propunha estabelecer uma quebra desses padrões.

Embora até hoje corpos tidos como “diferentes” são vistos com estranheza por algumas pessoas, não conseguiria dizer que esses não estejam dançando. Ora! Ainda que a maneira de movimentar possa ser distinta (e te pergunto aqui se realmente é plausível querer que diferentes pessoas se movimentem de maneira igual), dançar é o ato de se expressar através do movimento cadenciado.

Após a leitura do texto, acrescento ainda que tal entendimento só é possível a partir do momento que se deixa de lado a dualidade entre corpo e mente, entendendo que estão conectados. Ainda que a leitura não tenha sido suficiente para responder todos os meus questionamentos.

Fica então o questionamento que não consegui responder: A deficiência não impede que as pessoas dançam, certo?! Poderia dizer que sim, mas e nos casos mais severos que impossibilitam a pessoa de se movimentar? Mesmo que tivessem auxílio, como alguém que empurrasse sua cadeira de rodas, não seria essa então a pessoa que estaria dançando?

Escrito em 12 de fevereiro de 2021

Link do artigo: https://www.revistas.ufg.br/fef/article/view/54588/34107

Acessado em: 11 de fevereiro de 2021

Dança e Saúde

Por Gabriela Ramires

Provavelmente quando você começou a se envolver com a dança, uma das primeiras relações que fazia era com o de “saúde”. E quantas vezes já não ouvi essa associação?! Não digo que pensar a dança como saúde esteja errado, a questão é APENAS pensar dessa maneira.

Para começar, se pensarmos nas danças competitivas e nos dançarinos profissionais, assim como em outros esportes, não necessariamente estaremos falando de uma relação saudável. Isso porque todas as práticas voltadas para o rendimento se deparam em algum momento com a dor e/ou lesões, com a tentativa de se superar e levar o corpo ao limite. E até que ponto podemos considerar isso saudável?

Saindo do rendimento e pensando a dança nas academias, é fácil perceber como a modalidade vem sendo vendida com o conceito de saúde atrelado a ela. E, de fato, muitas pessoas encontraram nas danças uma maneira de se tornar ativa, de melhorar sua condição física e quiçá, até psíquica.

Enquanto fazia a pesquisa para esse texto, além das modalidades mais comuns como o fitdance, zumba e ritmos, uma modalidade me chamou a atenção: ballet fit. Quando que a corte imaginaria que a sua dança estaria em aulas de academia e que a técnica não seria o mais importante?

Até hoje o ballet é uma arte vista como mais “séria” e que busca uma harmonia e a técnica. Embora na Educação Física a gente já trabalhe com conceito como prática para o lazer, recreação e rendimento, imagino como os bailarinos veem essa situação. Não só pela questão técnica, mas também pelo sentido original ter se “perdido”.

Mas creio que isso ocorra em toda modalidade. Os praticantes geralmente querem que seu esporte/arte seja preservado. No entanto, ainda que seja difícil, devemos pensar as práticas e suas diferentes finalidades.

Agora, se por um lado falo que os praticantes deveriam tentar entender, por outro também acho que desvincular as danças de sua expressividade não é o certo a se fazer, pelo menos não o tempo inteiro. A dança tem como objetivo principal a expressão dos sentimentos e esse aspecto deveria ser retratado, ou pelo menos conversado, em qualquer ambiente.

Escrito em 19 de fevereiro de 2021

Danças Urbanas: em busca de um espaço

Entrevista com Gina Luiza

Por Gabriela Ramires

Na foto: Gina Luiza Souza Oliveira


Gina Luiza Souza Oliveira começou a fazer balé clássico aos dez anos de idade. Atualmente é dançarina de Danças Urbanas no grupo Cultura do Guetto. Desde então tem sua vida voltada para as artes, trabalhando atualmente como bailarina e tatuadora.

A Gina é minha prima de segundo grau e embora não tenhamos crescido muito próximas, sempre ouvi que era muito talentosa. Recentemente comecei a segui-la em uma rede social e pude ver mais de “perto” sua relação com a dança.

Quando o meu estágio em danças começou e propus as entrevistas, logo me veio à mente conversar com ela. Não somente pela oportunidade de conhecê-la um pouco melhor, mas também de ouvir mais sobre a dança praticada por ela, que não conheço tão bem.

Nessa conversa falamos um pouco sobre a trajetória da Gina até chegar às danças urbanas e sobre as dificuldades encontradas nesse percurso, além dos preconceitos sofridos dentro e fora das danças.

Obrigada, Gina! Por ter aceitado participar da conversa e por me ensinar um pouquinho mais sobre as danças urbanas!

Segue abaixo o link para nossa entrevista e da página do grupo Calangos, para quem tiver interesse.

Link da entrevista: https://youtu.be/F_e7CkJ5Onk

Link da página do Cultura do Guetto: https://www.instagram.com/culturadoguettooficial/

Entrevista realizada em 24 de fevereiro de 2021

Os “All blacks” e o Haka

Por Gabriela Ramires

Essa semana a professora Isabel nos enviou alguns vídeos de dança para que, conforme suas palavras, pudéssemos apreciar e nos estimular. Um desses vídeos mostrava a dança do time de rugby da Nova Zelândia, conhecidos como “All Blacks” por causa do seu uniforme preto.

Confesso que já havia visto a dança anteriormente, inclusive em uma cerimônia de casamento. Mas, durante o estágio em danças, pude perceber a dança com um novo olhar. Decidi pesquisar um pouco mais sobre aquela “cerimônia” e deixo aqui uma pequena explicação.

De acordo com o site do jornal el país, o Ka Mate, foi criado em 1820 pelo chefe maori Te Rauparaha. A canção comemora a vida sobre a morte e foi escrita após o chefe conseguir escapar de uma tribo rival. Apesar da dança não ter um caráter intimidatório, seu nome, Ka Mate, significa “é a morte”.

Foi realizada pela primeira vez em uma partida de rugby no século XIX, por jogadores de origem Maori que estavam em excursão pelo Reino Unido, em 1888. Atualmente o haka se tornou famoso por causa dos All blacks e podem ser encontrados vídeos da dança sendo feita em casamentos, enterros e outras cituações.

Conforme o site newzeland.com, o haka é um tipo de dança ou desafio cerimonial da cultura Maori. Na grande parte das vezes a apresentação é feita em grupo e é uma demonstração de orgulho, força e unidade de uma tribo.

Segue abaixo a tradução do haka cantado pelo time da Nova Zelândia:

É a morte! É a morte! É a vida! É a vida!

É a morte! É a morte! É a vida! É a vida!

Esse é o homem feroz e poderoso

Que fez com que o sol brilhasse de novo para mim

Suba a escada! Suba até o topo!

O sol brilha!

Assistindo novamente à dança dos All blacks, comecei a pensar sobre questões já retratadas anteriormente aqui. O Haka é exatamente aquilo que acredito ser a dança: uma maneira de se expressar.  Embora não seja acompanhado de músicas instrumentais, podemos ali ver o corpo seguindo uma sequência de movimentos, ritmado pelos dizeres. Os “passos” fortes transmitem energia.

Essa dança surgiu apenas para celebrar uma vitória, a vida e expressar a força de uma tribo. Até hoje esse sentido não se perdeu, ainda que agora seja utilizado por um time (tribo) que busca naquele momento se preparar para a partida.

Mesmo quando realizado em outros eventos, o Haka não deixa de ser uma maneira de expressar orgulho, força… De transmitir a cultura de um povo.

Trazendo para o nosso contexto, podemos pensar nas músicas populares mais conhecidas ao redor do mundo, como o samba e o funk. Embora atualmente o funk tenha se voltado mais para uma questão do mercado e de ostentação, esse ritmo começou com a proposta de mostrar as mazelas da sociedade, a realidade vivida nas comunidades. O samba também retratava a vida dos brasileiros, as preocupações.

Ainda que hoje em dia eu acredite que o estilo musical que mais cumpre esse papel é o rap nacional – que por sinal, tem estado em ascensão nos últimos anos – essas músicas ainda são um retrato de nossa cultura. Geralmente a primeira questão observada por estrangeiros em vídeos em que reagem às nossas músicas e sons, é a alegria que o ritmo transmite e que logo querem dançar.

Outra questão muito comentada é a sensualidade das danças, o que justificam pelo calor. Não sei exatamente a razão pela qual isso ocorre, mas já pararam para pensar que as danças dos países mais próximos à Linha do Equador costumam ser realmente mais sensuais? Na verdade, parando para refletir, são esses países geralmente os apontados com mais problemas sociais e, também, com ritmos e danças alegres. Inclusive, se alguém souber o motivo, deixa um comentário.

Não quero com esse texto dizer que está tudo bem a gente ignorar nossos problemas e simplesmente dançar por cima deles. Pelo contrário, os convido a refletirmos sobre essas questões e como a dança reflete uma cultura, a história de um país e de seu povo.

Escrito em 26 de fevereiro de 2021

Link dos sites: https://www.newzealand.com/br/feature/haka/; https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/19/cultura/1508405168_363160.html

Acessado em: 26 de fevereiro de 2021

Dança na pandemia: como a tecnologia tem auxiliado?

Por Gabriela Ramires

Essa semana ouvi um colega de faculdade comentar que estava fazendo a disciplina de “Dança e Tecnologia”, também ministrada pela professora Isabel Coimbra. Curiosamente ele também deveria entregar um trabalho para ser apresentado no ENGREPE e começamos a conversar sobre os nossos trabalhos.

Em determinado momento surgiu a questão dos jogos com a dança e logo passamos a discutir sobre a pandemia. Só para melhor contextualizar, tenho uma irmã de cinco anos, que fará aniversário mês que vem. Minha mãe me pediu ajuda para encontrar um videogame que a estimulasse a dançar, já que ela tem passado muito tempo com o celular na mão.

Acontece que assim como minha mãe, vários pais têm passado mais tempo em casa, o que não significa que estão disponíveis para brincarem com seus filhos. Quando sobra tempo, minha mãe faz algumas tarefas com a caçula, incluindo colocar vídeos no youtube para dançarem juntas. Por ser um jogo, minha mãe acredita que o videogame, principalmente se vier com um tapete, deixará minha irmã animada com a ideia de dançar mesmo sem sua presença.

Nesse contexto de pandemia pudemos ver dois opostos: pessoas que se organizaram para realizarem atividades físicas e aquelas que as rejeitaram de vez, vencidas pelo desânimo. Fato é que para ambos os lados, a internet se tornou uma forte aliada.

Aqui em casa, por exemplo, eu e minha prima utilizamos os sites canais de dança (com coreografias prontas) para dançar. Algumas vezes também utilizamos a estratégia de colocar vídeos de jogos (just dance) para acompanharmos, seguindo a estratégia utilizada pelo Diego – olha lá na nossa primeira entrevista. Mesmo quando estou sozinha, ligo o som e danço conforme o corpo mandar.

Logo no início da pandemia as lives começara a alavancar e várias foram aquelas que se propunham a agitar os dias com um pouco de dança. Amigos próximos a mim, inclusive, chegaram a fazer lives de dança.

Outro recurso também utilizado por mim foram as videochamadas em grupo, em que uma das amigas colocava a música e fazia a coreografia (inclusive, nos ensinava todos os passos). Também vi várias postagens de pessoas que voltaram ou que até mesmo começara a dançar e compartilhavam seus feitos, não para ensinar, mas por estarem orgulhosas de si.

Não posso esquecer do “Tik Tok”, rede social que passou a fazer ainda mais sucesso com a pandemia. Embora tenha a proposta de vídeos curtos, inúmeros foram os vídeos de dança criados a partir da plataforma. A maioria desses vídeos eram postados como “desafios”, convidando outros usuários a tentarem realizar as coreografias.

Fato é que as tecnologias se mostraram muito úteis nesse período pandêmico. Não só por nos trazerem a sensação de proximidade, mas também por nos manterem ativos e empenhados com algo.

Obviamente que não trouxeram apenas coisas boas. Algumas pessoas ficaram mais sedentárias, auxiliadas também por essas tecnologias. Porém, não podemos negar que a dança esteve e está presente nesse momento.

Escrito em 05 de março de 2021

Dança e Luta: artes opostas?

Entrevista com Thais Figueiredo

Por Gabriela Ramires

Na foto: Thaís Pereira De Figueiredo

Desde o primeiro instante que comecei a pensar as temáticas que seriam debatidas, pensei nas lutas. Para quem não sabe, sou judoca há quase 15 anos, razão pela qual escolhi a Educação Física. Procuro então sempre fazer um paralelo com as lutas e deixar o assunto mais próximo do meu contexto.

Enquanto pensava o que poderia ser discutido sobre lutas e danças, me lembrei das aulas do Professor Maicon, da UFMG. Como trabalho final da disciplina de “Ensino das Lutas” o professor propõe aos alunos que realizem uma coreografia utilizando técnicas de alguma luta.

Confesso que em um primeiro momento, ao ouvir a proposta, fiquei confusa e achei que não daria muito certo. Porém, para minha surpresa e entretenimento, os trabalhos ficaram muito bons – e divertidos.

Por causa dessa experiência pensei em debater a relação das lutas e das danças, lembrando também de que sempre que ia a uma festa com algum conhecido de treino, acabávamos usando as técnicas do judô para dançar. Há algumas semanas, inclusive, propus aos meus alunos que fizessem o mesmo e o resultado foi muito bom.

Outra questão sobre a relação da dança com as lutas surgiu durante a entrevista com o Professor Diego Marcossi. Em determinado momento o Diego comentou sobre a similaridade com a maneira que as danças e as lutas são abordadas na escola, o que até então nunca tinha percebido.

Decidi então conversar com uma pessoa que estivesse envolvida com as danças e as lutas. Logo que comecei a pensar em pessoas que vivenciassem essas duas modalidades, me lembrei da Thaís.

Essa semana conversei com a arquiteta Thaís Pereira De Figueiredo, que conheci nos treinos de judô, em 2012. Embora não seja da Educação Física, a Thaís sempre gostou de dançar e demonstrou certa facilidade. Há algum tempo a “Thata” – como é conhecida – entrou para o balé e posteriormente para o grupo Calangos, um grupo de dança folclórica localizado no bairro Guarani e voltado para questões sociais.

Fiquei muito feliz com a conversa dessa semana. Apesar de ser uma temática do meu interesse, muitas das reflexões foram novas para mim e me fizeram pensar bastante. Deixo aqui meu agradecimento à Thaís, por aceitar o convite e por enriquecer essa página.

Segue abaixo o link para nossa entrevista e da página do grupo Calangos, para quem tiver interesse.

Link da entrevista: https://youtu.be/ZIxjOCK5Ln4

Link da página do grupo Calangos: https://www.instagram.com/grupocalangos/

Entrevista realizada em 08 de março de 2021

Me negaram a dança

Por Gabriela Ramires

Na metade do curso de Educação Física a minha formação começou a ser orientada para o trabalho com pessoas com deficiência. Meu primeiro estágio, inclusive, se deu no Programa Superar.

Mais recentemente entrei como bolsista no Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) da UFMG. E foi em uma das orientações que uma colega de curso me relatou sua experiência com a Educação Física e a dança.

A Juliana nasceu com uma má formação do sistema nervoso, o que ocasionou problemas musculares, como rigidez e espasmos, sendo necessário o auxílio de muletas e/ou cadeira de rodas para se locomover. Na época em que estava na escola, os professores não pareciam saber como incluí-la nas aulas e por essa razão a maior parte dos horários de Educação Física eram passados na biblioteca ou no pátio, jogando jogos de tabuleiros.

Em certo momento ela me disse que se sentia um estorvo. Seu colégio era voltado para as atividades esportivas competitivas e mesmo tendo o direito de estar ali, percebia que apenas participava das aulas pois viam como uma obrigação, já que naquela época começava a valer a lei que obrigava as escolas a aceitarem alunos com deficiência. Ainda assim, a sua participação dependia do auxílio dos colegas (o que ocorria ocasionalmente) e foi limitada a jogos de handebol sentado ou queimada.

Enquanto cursava letras na UFMG, em 2016, conheceu o projeto “Arte e Diferença”, da Escola de Belas Artes da universidade. No mesmo ano começou a fazer um tratamento e a fisioterapeuta a incentivou a fazer aulas de dança. Começou a fazer ballet por indicação de uma amiga e posteriormente começou também as danças ministerial e contemporânea.

Para a Juliana, a dança vai muito além da prática de atividade física, sendo uma atividade terapêutica e que a auxilia a desenvolver o equilíbrio, flexibilidade e resistência, capacidades físicas muito importantes para ela. Conforme ela mesma me disse, dançar a faz se sentir pertencente a um lugar e possibilita que seja vista enquanto pessoa, com direitos iguais ao restante da população.

Apesar disso, mesmo quando dança, se sente excluída. Um dos locais que frequenta afirmou não poder atendê-la e que já que insistia em continuar participando, deveria se adaptar às aulas e passos, pois o contrário não seria feito. Esse ano a “Ju” – como a chamo – ingressou no curso de Educação Física e seu maior desejo é trabalhar com atividade física adaptada (principalmente com a dança), para que mais pessoas sejam incluídas e não se sintam como ela.

Conto aqui esse relato, pois creio que quanto mais pessoas o lerem, mais chances teremos de repensar nossas práticas e nosso papel. Além disso, veio a calhar com as reflexões e conversas anteriores. Ora, não é a dança um meio de expressão? Deve ser, portanto, dançada – também – por aqueles que tanto foram reprimidos.

A Juliana encontrou uma maneira de se expressar e descobriu na dança uma forma de se fazer presente no mundo. Enquanto professores (acredito que a maioria aqui seja), deveríamos lembrar que antes de serem voltadas para o mercado, as danças (assim como as demais práticas corporais), são um meio de compreendermos a sociedade.

Escrito em 12 de março de 2021

ENGREPE: Ver para Rever

Por Gabriela Ramires

Essa semana começou o Encontro de Grupos de Ensino, de Pesquisa e de Extensão (ENGREPE), evento organizado pela professora Isabel Coimbra e que conta com participação de estudantes e pesquisadores de diferentes instituições.

Entre os trabalhos postados estão vídeos coreográficos, lives, mesa redonda e mostra de clipes e reflexões envolvendo o mundo da dança.  Inclusive, se você está lendo esse texto, provavelmente chegou pelo portal do evento e espero que, assim como eu, esteja aprendendo um pouquinho mais sobre esse vasto universo.

Em uma dessas mostras, organizada a partir da disciplina Dança e Tecnologia, os alunos apresentaram uma mostra de vídeodança em que relacionavam utilizavam conceitos aprendidos em “sala de aula”. Todos os trabalhos me chamaram a atenção, mas aqui destaco dois: “Mãe Natureza a Energia da Vida” e o “Dança Virtual”, criado pelo aluno Diogo Fernandes.

Vou começar falando sobre o trabalho do Diogo, que diferente dos seus colegas, foi além no conceito de tecnologia e acrescentou um personagem animado na participação da coreografia. Esse trabalho me remete à questão dos jogos de dança e me faz pensar as diferentes maneiras que a tecnologia pode se tornar nossa aliada.

Nesse sentido, também penso que a maioria das pessoas não possuem acesso a essas inovações. De acordo com o site da Agência Brasil, no Brasil 3 em cada 4 pessoas possuem acesso à intenet, o equivalente a 134 milhões de pessoas. Um número bom, você deve pensar, certo? Porém, mesmo com o aumento do número de usuários, ainda existem diferenças quanto ao gênero, raça, renda e regiões, destacando a disparidade social.

Se nem à internet temos um total acesso, imagine às tecnologias mais “difíceis”, como edição de vídeo e programação. Muitos recursos exigem do usuário um entendimento mais amplo sobre computação, além da maioria dos programas estarem em inglês.

Em um mundo globalizado e que caminha cada vez mais em direção ao “progresso”, seja isso bom ou ruim, não seria a inclusão tecnológica uma maneira de diminuir as lacunas sociais?

Ainda falando sobre tecnologia, mas mudando um pouquinho o rumo dessa conversa, comentei que outro vídeo que me chamou a atenção foi o “Mãe Natureza a Energia da Vida”. O que me chamou a atenção foi o fato de ter escrito um texto aqui nessa página, que falava sobre a relação da dança com a natureza.

Mesmo já tendo parado para refletir sobre essa questão, o vídeo me trouxe uma perspectiva diferente. Já havia pensado em escrever sobre espaço, mas não sabia ao certo sobre o que deveria dizer. Nesse trabalho pude pensar a natureza também como um “espaço” para se dançar, em que não dançamos conforme ela dita, mas conforme os sentimentos que ela nos transmite. A natureza seria algo a ser contemplado, sentido.

Não sei se você, leitor, também teve essa impressão acerca dos trabalhos. E o mais incrível é isso! Esse evento nos possibilita acesso a uma gama de trabalhos e diferentes pontos de vista. Cada visualização é um entendimento, uma nova reflexão. E dançar não é isso? Diferentes sentidos, formas, cores… É criar e recriar, ver e rever.

Fica aqui o convite para que você veja mais trabalhos e tente ver por outros ângulos. Que esse ENGREPE nos ajude a repensar conceitos, olhares e nossas próprias convicções.

Escrito em 19 de março de 2021

Link do site Agência Brasil: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-05/brasil-tem-134-milhoes-de-usuarios-de-internet-aponta-pesquisa#:~:text=Atualizado%20em%2026%2F05%2F2020,%2C%20g%C3%AAnero%2C%20ra%C3%A7a%20e%20regi%C3%B5es.

Acessado em 19 de março de 2021

Hora do Adeus

Ao longo desse semestre pude relatar minha experiência de estágio e dividir minhas angústias, dúvidas e reflexões. Conforme escrito em meu relatório final, foi uma experiência única.

Além de todo o estágio ter sido feito de maneira remota, pude me sentir parte do processo. A professora Isabel nos entregou as senhas de todos as plataformas que precisamos ao longo do percurso e depositou sua confiança em nós. Nos encontros semanais sempre tentava nos “retirar” o melhor e fazer com que compreendêssemos o programa e as danças.

Foi um caminho cansativo, mas repleto de descobertas e reflexões. Em determinado momento passei a ver a dança no meu dia a dia e, sem perceber, comecei a enxergar a dança com outros olhares. Não digo que sou dançarina, até porque não era essa a proposta para a disciplina, mas digo que danço e que penso sobre a dança em seus diferentes contextos e significados.

Como última reflexão, trago o questionamento “De quem é a Dança”?

Em 2016 a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estava sendo construída e discutida. Naquele momento a dança aparecia como conteúdo da Educação Física, o que ocasionou atritos dentro da UFMG, já que o curso de dança reivindicava o conteúdo como deles, e com razão.

Não cabe a mim dizer de quem a dança é de fato, mas sim refletir sobre a questão e expor meus pensamentos. Creio que a dança tenha espaço para ambos os cursos: Dança e Educação Física.

Não é da vontade da Educação Física Escolar, conforme discutido anteriormente, formar dançarinos, mas sim permitir que os alunos experimentem diferentes práticas corporais. Dessa forma, não estaríamos ocupando o espaço do curso de dança, embora acredite que a maior parte da discussão ocorra devido as práticas ocorridas fora da escola.

Nesse caso, não possuo uma resposta concreta, pois seria insensível de minha parte desconsiderar outros profissionais e apenas ver o nosso lado. No entanto, isso não me impede que eu continue acreditando que a dança é ampla e diversa. Mas então, qual a resposta para a pergunta?

Simples: A dança é para todos!

A questão não é quem deveria ensinar a dança, mas sim a quem ela pertence. Depois desse semestre, de (tentar) entender a dança em seus diferentes significados, afirmo que a dança é universal, inerente ao ser humano. Aprendi ainda que, de tão vasto o universo da dança, sempre temos algo novo a aprender, um novo jeito de olhar

Para finalizar, gostaria de deixar meus agradecimento à professora Isabel, aos colegas de disciplina, aos entrevistados e também a você, por chegar até aqui!

CONTINUE A DANÇAR!